van she – v (2008)

van she – v (2008 )
o van she é uma banda que surgiu na austrália em 2005 e que empresta seu nome do próprio baixista da banda, matt van schie. a história de como a banda surgiu é engraçadíssima: os quatro integrantes da banda se conheceram ao responder um anúncio de uma revista que procurava um vocalista para uma banda de doom metal. a progressão disso pra uma banda de synth pop é natural, hahaha.
o álbum v, de 2008, é o lp de estréia da banda, sucessor do ep van she, de 2006, que acabou trazendo à banda fama suficiente para que eles viessem parar no brasil no nokia trends de 2007, ao lado de she wants revenge e phoenix. line-up coerente, lindo.
do ep de 2006, v traz somente kelly, uma mezzo baladinha sobre uma garota que vivia uma vida contemplativa até ela conhecer um cara. é… eu acho que letra não é o forte dos caras.
pensando bem, eu não tenho muita idéia de como o van she conseguiu se lançar com aquele ep. era um disco com seis músicas, das quais duas eram kelly – a original e um remix instrumental com nada confortáveis ares de chill out. felizmente tinha ali no meio mission, survive e sex city, que justificam um pouco a fama que eles conseguiram.
sobre v… bem… é um disco irregular. vai dos tons meio góticos do primeiro ep da banda a baladinhas fofinhas – e funciona bem melhor quando a sonoridade flerta mais com o gótico do que com a fofice de, por exemplo, virgin suicide.
as melhores faixas do disco são memory man, cat & the eye, changes e it could be the same. o grande mérito da banda nessas músicas é ter conseguido fazer refrões realmente bons e nada grudentos – fora, claro, o “uh-oh-ohh” onipresente em changes. isso era algo que faltava no ep da banda e que eles conseguiram fazer bem nesse disco. outro ponto alto é que eles conseguiram colocar ótimas guitarras nesse disco, coisa que faltava muito ao ep.
de resto, é um disco muito bem produzido, já que uma das coisas que mais importam em synth pop desse tipo é o cuidado com os timbres que se usa. nesse ponto, não há do que falar mal da banda. ou não: o metalofone que eles colocaram no meio de strangers dá uma estragada numa música boa.
o resultado final é um disco meia-boca, como vocês podem ver pela média geral das notas de cada uma das músicas. como tudo na era do single, vale a pena baixar os hits e deixar o resto dos fillers do disco de lado.
detalhe: temps mort é auto-explicativa. é aquela faixa tempo morto por excelência. filler de um minuto e dezesseis segundos, composta unicamente de barulhinhos new wave. uma merda.
tracklist: notas:
1. memory man 8,0
2. cat & the eye 8,0
3. changes 9,0
4. strangers 7,0
5. it could be the same 9,0
6. the sea 4,0
7. virgin suicide 7,0
8. temps mort 0,0
9. talkin’ 6,0
10. kelly 6,0
11. sunbeams 6,0
12. a sharp knife 5,0
nota média: 6,2
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cat power – jukebox (2008)

cat power – jukebox (2008 )
eu tenho que admitir que só comecei a prestar atenção direito na chan marshall a partir de the greatest (2006) – até porque aquele cd era um perfect 10. depois disso, rolou show dela no tim festival de 2007, no auditório ibirapuera (melhor local possível), e logo no finalzinho do ano vazou jukebox, que seria lançado no comecinho 2008.
detalhe: nesse show do tim festival, eu passei o show todo me perguntando quem era o gênio que tava tocando guitarra no canto direito do palco. eu tinha quase certeza que já tinha visto o sujeito alguma vez e que eu conhecia aquela pegada. no final das contas, eu tava certo… era judah bower, responsável por pelo menos um décimo das melhores guitarras da década de noventa.
enfim… jukebox é um cd de covers. um puta cd de covers. a linha do disco é mais ou menos a de the greatest, puxando um pouco mais pro soul e pegando um pouco mais leve no blues. e eu acho que a grande sacada do disco é exatamente essa, colocar aquele vocal ora sussurrado ora rouco da cat power pra cantar músicas que foram feitas praqueles vozeirões de divas e reis do soul – aretha, sing one for me.
se tem um troço que ver a mulher ao vivo me ensinou é que esse vocal rouco e sussurrado é estilêra pura dela. ao vivo, é a amy winehouse – sóbria e tímida – no palco. claro… os timbres das vozes das duas são completamente diferentes, mas eu tô falando de presença vocal. então essa história de soul sussurrado é mérito duplo dela. é uma puta estética sonora foda, mas não é só, porque ela segura a onda quando precisa.
bom… esse é o segundo cd de covers que a cat power lançou na carreira. o primeiro, the covers record, de 2000, era tão legal quanto esse, embora ainda fosse na onda de “diva indie do pianinho mimimi”. tinha stones, velvet, bill callahan e dylan. a diferença na seleção de músicas entre aquele e esse é notável – de rock/folk pra soul/blues/country.
a evolução da carreira dela foi perfeita: de musa indie do pianinho e voz lamentados ela foi pra diva low fi do soul. eu sinceramente não consigo imaginar caminho melhor.
bom… ao disco.
começa com blue eyes, ferchrissake. é new york, new york, mas de um jeito que você nunca ouviu . depois disso: billie holiday, hank williams, bob dylan, james brown e joni mitchell. ela também faz um “cover de si mesma” em metal heart, que ficou de longe a melhor música do disco. acho que o segundo lugar fica pra ainda mais chorosa ramblin’ (wo)man (hank williams), quase que empatada com blue (joni mitchell).
song for bobby, inclusive, é uma inédita do disco. homenagem de marshall pro dylan. sweet as can be.
em resumo: baixe tipo… agora.
tracklist: notas:
1. theme from “new york, new york” 7,0
2. ramblin’ (wo)man 9,0
3. metal heart 10,0
4. silver stallion 8,0
5. aretha, sing one for me 9,0
6. lost someone 8,0
7. lord, help the poor and the needy 6,0
8. i believe in you 7,0
9. song to bobby 7,0
10. don’t explain 9,0
11. woman left lonely 8,0
12. blue 8,0
média: 8,0
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sintetizadores GALORE!

autoramas – multiball (nada pode parar os autoramas, 2003)
1. alphabeat – fascination (this is alphabeat, 2008 )
2. mgmt – kids (oracular spectacular, 2008 )
3. electrosound – gossip around the world again (the gossip vs. dangerous dan & nicky van she) (kitsuné maison mashed, 2007)
junior senior – shake your coconuts (dfa remix) (the dfa remixes, chapter two, 2006)
4. midnight juggernauts – shadows (dystopia, 2007)
5. m83 – graveyard girl (saturdays = youth, 2008 )
6. depeche mode – i feel you (songs of faith and devotion, 1993)
stone roses – she bangs the drums (stone roses, 1989)
7. team 9 vs. stereogum – black swann (thom yorke vs. the beatles) (mysplice ’06, 2006)
8. nancyta e os grazzers – negra melodia (nancyta e os grazzers, 2002)
9. neutral milk hotel – two-headed boy (in the airplane over the sea, 1998)
the bellrays – lost disciples (have a little faith, 2006)
10. beth gibbons & rustin’ man – funny time of year (out of season, 2003)
escutem aqui:
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nada de muito novo aí…
o nome da brincadeira é: qual droga você deveria experimentar?
Brought To You By Adult Toy Parties
| Your Scores | |
|---|---|
| MDMA: | 1575 |
| LSD: | 1500 |
| Cocaine: | 1025 |
| Alcohol: | 875 |
| Heroin: | 875 |
| Mushrooms: | 725 |
| Marijuana: | 200 |
| Salvia: | -125 |
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limiar
“yesterday i nearly killed a million people. it was a close call.”
essa frase introduz o post de hoje do blog do scott adams, o criador do dilbert. coloquei só a abertura do texto pra instigar a curiosidade – vão lá ler o troço todo. são textos simples assim que separam um bom cara de humor de um filho do chico anysio, por exemplo.
falando nisso, eu não poderia recomendar mais o blog do scott adams. o sujeito faz as melhores análises políticas, econômicas, ambientais e sociais que eu já vi – e tudo temperado com cinismo e fofocas de celebridades.
pra um pouquinho mais de genialidade, o dilbert de 18 de julho:
falando em tirinhas, nicholas gurewitch voltou, depois de meses sem quadrinhos novos, a desenhar as alucinações da sua perry bible fellowship. tava com saudades.
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autoramas – multiball (nada pode parar os autoramas, 2003)
1. thee butchers orchestra – break it up (in glorious rock n roll, 2002)
2. the ting tings – that’s not my name (we started nothing, 2008 )
3. tripp – suppa holla tricka (best of bootie, 2005)
dj rideon – ghetto 808 vol. 2 (dj set, 2007)
4. girl talk – what it’s all about (feed the animals, 2008 )
5. mark ronson – just (version, 2007)
6. bidê ou balde – é preciso dar vazão aos sentimentos (é preciso dar vazão aos sentimentos, 2004)
rage against the machine – sleep now in the fire (battle of los angeles, 1999)
7. fausto fawcett – kátia flávia, a godiva de irajá (fausto fawcett e os efêmeros, 1987)
8. persephone’s bees – nice day (notes from the underworld, 2006)
9. supergrass – rough knuckles (diamond hoo ha, 2008 )
scissor sisters – take your mama (scissor sisters, 2004)
10. plastic bertrand – ça plane pour moi (this life’s for me) (ça plane pour moi, 1978 )
escute clicando aqui:
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we’re new order, obviously
new order, via funchal, 14.11.2006
manchester. quatro de junho de mil novecentos e setenta e seis. lesser free trade hall. sex pistols. one only bona fide genious in the room – martin hannet. tony wilson e mais trinta e oito pessoas. factory. joy division. anos oitenta. ian curtis. new order. fac fifty one haçienda. happy mondays. extasy. madchester. clubbers. twenty four hour party people.
basicamente, foi isso tudo o que demorou pra que eu conseguisse entender a empolgação de bernard sumner e peter hook em um palco. no começo, eu simplesmente achava que eles eram retardados mesmo.
assistindo ao new order tocar no via funchal, eu lembrava de tudo isso. tudo menos os sobrenomes de todo mundo que eu citei – minha memória já foi bem melhor. mas, de qualquer forma, o que importa é que esse show sintetizou uma década e meia pra mim, de um jeito muito simples.
o histórico show do sex pistols no lesser free trade hall foi o marco inicial dessa década e meia. os sex pistols no palco e quarenta caras que fariam a década de oitenta assistindo à explosão daquilo que faria o fim da década de setenta – o punk. isso é o que eu chamo de linha do tempo. entre essas quarenta pessoas, membros do futuro joy division, do futuro new order, e donos da futura gravadora factory.
tony wilson e martin hannet – o gênio a que eu me referi no primeiro parágrafo – foram os criadores da factory, a gravadora que serviu de suporte pra uma revolução musical que incluiria o new order, mais tarde. inicialmente, no entanto, a revolução foi feita pelo joy division. pós-punk.
depois do suicídio de ian curtis surge o new order. eles conseguem afastar a imagem de restos do joy division. eles continuam revolucionando a porra da música. pós-punk e dance music. eles explodem. a factory explode. surge, com o dinheiro que a gravadora e a banda conseguiram com tantas explosões, o fac 51 haçienda, o clube que hospedou uma coisinha chamada madchester. o alvorecer da era clubber.
foi só assim que eu consegui entender o porquê do retardo mental de sumner e hook no palco. os caras FIZERAM uma década inspirados pelo fim da década anterior. eles fizeram o pós-punk e fizeram o alvorecer de uma era orientada por sintetizadores, batidas eletrônicas, clubes e, mais ao final, por um comprimido. dá pra sacar agora porque eles são tão felizes em cima de uma porra de um palco. ali, eles protagonizaram história, com h maiúsculo. por conta disso a nme deu a eles o título de godlike geniuses. merecidamente.
falando nessa história que eu sintetizei agora, nesses últimos parágrafos, o peter hook tá escrevendo um livro a respeito. enquanto não chega, assistam a 24 hour party people, do michael winterbottom, diretor do indie-low-profile-hard-core-pornô-chique 9 songs, que estreou no ano passado.
mas, ao show.
a banda de abertura. mavericks, eu acho. uma merda.
começa então o que importa: “hello, sao paolo. we’re new order, obviously.” duas guitarras apagadas e um baixo fluorescente. basicamente era isso o que se ouvia no show, porque peter hook é um filho da puta de um gênio no baixo, e a década de oitenta foi um tributo a ele. ou, pelo menos, ele conseguiu se convencer disso. o som estava ótimo. a iluminação do show estava perfeita, seguindo as cores do clipe de jetstream. e o público urrava no início e fim de cada uma das músicas. sério, eu nunca vi um público responder tanto a um show. e a banda respondia de volta.
eles tocaram grande parte dos clássicos, incluindo os do joy division. tocaram temptation, blue monday, bizarre love triangle, regret, true faith, crystal. tocaram atmosphere e “hey, we realized we forgot to play this one” love will tear us apart. faltou tocarem world in motion, isolation e closer, mas putaquepariu, não dá pra exigir tanto.
na boa, um dos melhores shows do ano, competindo pau a pau com o do gang of four. com um nariz na frente, agora, na reta final. o nariz do peter hook, que não é pouca coisa, pra ser justo.
foi um bom ano pra shows de bandas dos anos 80, não?
originalmente de 18 de novembro de 2006
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flaming moe e mqn, cb, 11.11.2006
quando bêbado – e não só –, é a palavra de ordem de uma noite, eu permaneço fiel. foi uma noite absurdamente regada a álcool, e, no meu caso específico, também um dia. alcoolizado, eu mantenho a coerência com o que foi uma noite chapada. chapado, eu mantenho o stoner tangível. chapado, eu escrevo essa merda que vocês estão prestes a ler.
foi uma noite stoner, em todos os sentidos. primeiro, flaming moe. uma banda massa, que eu tinha visto uma vez só, acompanhando os walverdes no outs. os caras são precisos no palco – química, pra usar um clichê, resume a coisa. por mais que, por um lado, isso seja bom, desfavorece o sentimento “ao vivo” da coisa. ninguém quer ir a um show pra escutar a banda tocando as músicas como no estúdio. eu, pelo menos, não. em resumo, esse foi o único pecado dos caras nessa noite – porque, pelo que eu me lembro, no outs a coisa foi bem diferente. no resto, músicas muito boas, músicos muito bons. um show foda.
depois, mqn. e agora vai um aviso: isso não é uma crítica imparcial. se você quiser imparcialidade, feche seu browser e vá pra outro lugar. eu vou puxar a sardinha pro lado do mqn feio, e eu tenho motivos pra isso. se você insistir em ler e achar ruim, incendeie os comentários. os motivos? bastante pessoais:
eu cresci em goiânia, que nós, goianos, orgulhosamente chamamos de goiânia rock city por causa do empenho de algumas pessoas em tornar aquela cidade suportável. essas pessoas são: integrantes de bandas. donos de selos. donos de pequenos clubes rockers, que hospedam shows de bandas que não atraem hordas e, invariavelmente, fecham depois de alguns meses de funcionamento. e, é claro, o brandão, que até onde eu sei, manteve um império funcionando no martim cererê por muito tempo.
durante o período em que eu vivi ali, o mqn era sinônimo maior dos motivos porque a gente insistia em adicionar o rock city ao nome da porra da cidade. shows incendiários. luzes vermelhas e um calor infernal. lançamento de dois cds impecáveis. compactos em vinil com artes absurdas. “eu quero ver vocês mexerem essas bundas gordas”. rock do inferno, em resumo, sob uma singela desculpa: the devil made me do it.
agora, pra completar, os caras me vêm com uma das ações mais legais que eu já vi no rock – o manifesto fuck cd. sinceramente, tava demorando pra alguém dizer um basta pro cd, admitir a falência do formato e reconhecer que mp3 e file-sharing geraram um processo irreversível, que trouxe mais benesses do que males. álbuns, no sentido físico, são agora artigos para fetichistas da música, como eu, e o que melhor pra capturar esse espírito do que lançar singles trimestrais em compactos de vinil? fuck cd sessions.
voltando agora ao show.
musicalmente, o show do mqn não foi tão bom quanto o do flaming moe. o som não tava lá essas coisas no show deles, e a banda estava muito chapada. “alguém de vocês liga pra afinação?”. a resposta é não, e esse é justamente o ponto. ninguém ali dava a mínima pro fato da guitarra estar afinada perfeitamente ou não. o show do mqn foi memorável justamente porque os caras estabeleceram a palavra de ordem da noite e se ativeram a ela. não estou dizendo que foi um show puramente performático. as músicas da banda se mantiveram como o motivo principal da presença das pessoas. o pessoal cantava, gritava pedindo músicas, mas o show literalmente pegou fogo por conta da performance chapada da banda. geralmente, esse clima é mantido pelo frontman da banda, fabrício. dessa vez, a banda toda estava nessa onda.
e foi fodasso.
os sujeitos só precisam parar de jogar a culpa no baixista novo e voltar a tocar stoned, nos shows. a velha guarda implora.
originalmente de 15 de novembro de 2006
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